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terça-feira, 25 de agosto de 2009

A poesia dos urubus na cidade maravilhosa


Dizia Manoel de Barros “Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando”, no entanto quando passo pela Bahia de Guanabara,isto é, quase todos os dias, com a finalidade de chegar a Ilha do Governador para conversar com os homens sérios, me pergunto onde foi parar a poesia daquele lugar. As águas da cidade maravilhosa naquele, naquele ponto, já não refletem as maravilhas, os barcos dos homens do mar não deslizam sobre superfícies espelhadas, foram tomada pela densidade de partículas de tudo, tudo em decomposição. Empresas lançam seus efluentes e se promovem pela “recuperação”, a vida morre e se capitaliza a revitalização. As conversas naquele lugar são sobre os mortos, são os urubus são os poetas, e não falam mais com as rãs, pois já não existem mais rãs. A diversidade daquela Bahia visivelmente é de carcaças, de detritos, de lixo, de tóxicos... Mas ainda assim existe uma casa flutuante que insiste em remeter a poesia da infância, só que o cheiro já não é o mesmo, o cheiro é triste...

domingo, 9 de agosto de 2009

Cidade sua

A saudade da sua cidade,
da cidade que não é sua,
mas pegou pra si,
usou seu espaço
caminhou entre as versos,
entre os lados, entre os meios...
A saudade da cidade que escolheu
dos espaços fechados e abertos que percorreu
da noite fria que penetra nos ossos
dos ossos que penetram na noite
da moral rasgada nos beijos
da boca maldita nas caretas
do blasé característico de suas meninas
dos cigarros pretos acendidos na noite
A saudade da cidade que se descobriu
do menino homem que cresceu
dos vícios que aprendeu
da indocilidade que viveu
A saudade da cidade que agora é sua
Porque escolheu!!!